3 motivos pelos quais eu NÃO sou um paizão

Por Alberto Marianno em 20/06/2016

super pai

Recentemente assisti (e recomendo) o documentário O começo da vida , que questiona, dentre outras coisas, a sociedade que espera que os pais ajudem as mães nas suas tarefas de cuidar das crianças. Opa lá! Quem ajuda aqui em casa é o senhor Francisco, que pinta as paredes e faz serviços gerais. Da criação dos meus filhos, eu, como pai, eu participo.

Eu tinha dois sonhos na vida: um era ser pai e o outro era ser um bom pai, um paizão. Um eu tive o grande prazer de realizar em dose dupla com meu filho Guilherme, 8, e minha filha Marianna, 1 ano e 7 meses; o outro eu tenho vivido todos os dias. Eu sou um paizão. Sim, eu sou! Mas não pelos motivos que eu pensava.

1) Não sou um paizão porque eu trabalho para alimentá-los e vesti-los

Passo com eles três ou quatro horas por dia. Passo mais tempo com meu chefe e colegas de trabalho. O tempo que eu tenho com eles precisa ser muito bem aproveitado. Preciso assistir Pocoyo por uma hora, treinar judô com o meu mais velho e nada disso me faz ser um paizão.

2) Não sou um paizão porque eu troco fralda (mesmo as mais recheadas)

Trocar fralda é natural. Estamos em uma sociedade que ainda não entendeu isso ainda. Muitos dos meus amigos poderiam apostar que eu não trocaria as fraldas dos meus filhos. Mas por que? Trocar fralda, ensinar lição, fazer o sanduiche do lanche ou andar junto de bicicleta. Ainda existe uma tarefa que é apenas do pai e uma que é apenas da mãe? Tanto eu quanto a mãe fazemos todas essas tarefas mas, mesmo assim, nada disso me faz ser um paizão.

3) Não sou um paizão porque eu trabalho e ela fica com eles em casa

Ela trabalha muito mais que eu. Isso é fato! Meu trabalho dura oito horas por dia, mas o dela é 24x7 e todos os dias da semana. Eu saio do meu trabalho para participar e tentar deixar o dela um pouco mais fácil. Mas não, eu não sou um paizão por isso.

Então por que raios eu sou um paizão?

Eu já tive muito medo de morrer e ser esquecido. Eu sou um paizão quando hoje percebo que isso não vai acontecer, já que estou deixando dois pedaços grandes de mim que jamais esquecerão quem foi o papai deles. Saio e o dia está escuro, eu chego e o dia está escuro e mesmo assim eles me amam.

Sou um paizão quando meu mais velho tem orgulho de contar pra qualquer um que o pai dele aplicou um lindo golpe quando a gente treinava no judô, e que o papai trabalha no UFC (e isso é uma longa história, quem sabe pra um próximo post). Os dois gostam das bandas musicais que eu gosto, dos filmes que eu gosto, das coisas que como. Eles gostam de mim. Às vezes só penso que preciso de mais recursos para deixar pra eles o mundo, e eles insistem em me mostrar que eu só preciso beijá-los e jogá-los pra cima.

E o amanhã?

Amanhã? Não faço ideia se eles vão ser Botafogo, se vão continuar gostando de beijinho de coco aos domingos e de ouvir Nirvana no carro. O que eu sei é que, hoje, eu sou o paizão pra eles e eles são, pra mim, tudo o que eu sempre sonhei.

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